terça-feira, 7 de outubro de 2014

Citação

Numa aflição de breu
um farol grita luz, 
espera pelo dia
e depois sossega.
                                  Vítor Encarnação

São árvores, sim!

Caricata a fachada da igreja matriz de Samora Correia, com a sua figueira e a sua oliveira a penderem, caprichosas. 
Agora, com a requalificação do edifício, coloca-se a hipótese de as "desalojar", visto que afetam a sua estrutura. A população não quer. Eu também não. Não somos especialistas, olhamos para estas arvorezitas com o coração.

É possível sermos felizes

A Catarina é um vulcão!
Esta menina da minha escola é portadora de deficiência, sofre de Síndroma de Silver-Russel. Contudo, nunca a vi mal disposta. A sua carita rechonchuda rasga-se num sorriso permanente, faz-nos constantes "give me five" e manda-nos trabalhar, com a sua vozita ronfenha e estridente.
Hoje, fazia anos e deu-me um valente abracinho. Quando lhe perguntei pelo bolo, respondeu:
- Calma! Calma! Depois de cantarmos os parabéns! 
A Catarina é uma força da natureza, uma luzinha que nos faz entender a nossa pequenez e a necessidade de sermos humildes.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Tempo

Afinal, as que, em novas, eram "giras e boas" também ganham rugas, pneus e cabelos brancos. Ah, pois é!... 

domingo, 5 de outubro de 2014

O homem que mata ratas por exaustão

E, diante de uma fabulosa grelhada mista de porco preto, acompanhada de uma perfeita couve salteada, dizia o meu primo N., um dos meus N. favoritos (e, já agora, dos meus primos favoritos, também), com o seu sotaque alentejano, delicioso:
-Mau, mau, foi quando me entrou uma ratazana lá para casa! Demorei que tempos para a conseguir apanhar! Tirei tudo dos armários da cozinha, desmontei portas, pus iscos, ratoeiras e nada! Só a ouvia de noite, quando estava no meu quarto e aparecia sempre qualquer coisa ratada, de manhã... Um dia, já estava mesmo desesperado, sentei-me no chão da cozinha, de vassoura na mão e vi-a sair lá de um cano! Olha, eu cá acho que foi por fraqueza. Já não havia comida em lado nenhum lá em casa e consegui dar-lhe uma vassourada! Matei-a!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Yogemos, então!

Comecei a yogar!
Há que tempos que andava para experimentar e foi desta: na passada quarta-feira fiz a minha primeira aula de yoga e hoje repeti.
Pareceu-se-me que todas as bolas que tenho nas costas se esticaram e dormi angelicamente, depois da primeira aula! Se os resultados são estes, já deveria ter iniciado esta prática há vários séculos!
Foi tão intenso que convidei a cria mais velha e ela foi comigo, hoje. Parece-me que ela também gostou e que quer continuar. Mais um pró a favor da "yogação"!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Vidas

Iniciaram-se as aulas. 
4 novas turmas:
- 3 sétimos anos;
- 1 nono ano (o melhor presente deste ano letivo).
Decididamente, não nasci para lecionar a miúdos tão pequeninos... Em duas das turmas (uma delas a minha direção de turma), tenho 30 almas na sala! Não há um único lugar livre! E eles falam por tudo e por nada e riem-se das alvarvidades mais idiotas e nem sequer posso ser sarcástica, porque eles não percebem! A outra turma de sétimo é composta por 18 repetentes e 2 alminhas integradas no ensino especial. São miúdos carentes, com uma péssima autoestima, habituados a não investirem neles. É claro que são a minha turma de "caganitos" preferida!
O nono ano é o meu consolo: inicio a semana com eles e termino-a do mesmo modo! Vou poder falar "adultês" e regá-los de literatura!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Please!

Quando as minhas filhas eram pequenitas, organizava-lhes sempre gigantescas festas de anos. Enchia balões coloridos, pendurava festões e bandeirinhas, escolhia copos e pratos de papel com bonecos da Disney e vinham os meninos todos da sala delas. Geralmente, educadora e auxiliar acompanhavam as crianças, mas era sempre uma grande balburdia de cachopos a correr e a saltar, enfiando-se na lama a gritar de alegria.
O momento que vivo hoje parece-me, então, um dejá vu de antanho: tenho 7 jovens adultas, que aguardam o galo deste galinheiro, que chegará amanhã... 
A minha casa parece um acampamento cigano, não consigo que o frigorífico permaneça com a quantidade industrial de alimentos que carrego do supermercado, por todo o lado pipilam cantiguinhas, risadas, entusiasmos vários... 
Assim sendo, eu, senhora de provecta idade, necessitada do som do silêncio com alguma frequência, impus-lhes, contra a sua vontade, uma saídela aqui pelo burgo, em busca dos briosos ribatejanos garbosos!
   

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Humidades

Tirando o "pincel" de entrar e sair do carro com chapéus-de-chuvas molhados, até acho que o mundo ensopado tem muito mais encanto. O cheiro  a terra molhada, as cores mais intensas, o brilho das poças de água, o céu carregado... E com o calor a escorrer-nos pela água da chuva ainda nos sentimos mais... diferentes, vá. 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Atentai bem na MEO e nas suas faturas!

Ora, já ando agastada com a MEO vai para dois meses e, eis se não quando, ao analisar DETALHADAMENTE a última fatura, me deparo com faturação dupla na internet, pagamento de equipamentos que já devolvi à empresa, chamadas locais que deveriam ser grátis... 
Vá de telefonar para o 16200 e arreganhar o dente, salientando a suspensão do débito direto, caso a fatura não fosse retificada! Foi e, então, de 65.57 euros, irei pagar 40.63! 
"ó gloria de mandar, ó vã cobiça"!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Uma questão de cor

Primavera é bem: os dias crescem, o tempo ameniza-se, os campos enchem-se de cor... Mas não há luz como a que anuncia o outono: doira-nos a alma! 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Falta de frescura

Sou um caderno quadriculado. A minha dona comprou-me o ano letivo passado para tomar notas nas várias reuniões em que tem de estar presente. Esta é a primeira do presente ano letivo. Parece que é uma reunião geral de professores, pelo menos está cá muita gente e estamos num local com muitas cadeiras. Lá fora está muito calor. Chegou tarde, a canícula, este ano e não vai ajudar o regresso aos afazeres iniciais costumeiros. 
A minha dona bem se abana com um leque azul às bolinhas brancas, mas o ar abafado agarra-se aos braços, às costas, à vontade. 
E o diretor lá enfatiza, bem salienta, aponta dados.
A minha folha aos quadradinhos enfeita-se de letras, números e sinais de pontuação rejuvenescidos. É o início de um novo ano letivo.