quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Posso voltar a ter a minha vida

 

A tempestade Kristin tornou a minha vida num inferno, na madrugada de 28 de janeiro de 2026.

Quase um mês depois, tenho o sol literalmente a brilhar.

Apesar de tudo, tive, tenho muita sorte! Desde aquela data fatídica que a nossa vida tem sido combater a água. Tem sido uma luta dia e noite que me deixou exaurida, mas que me permitiu conhecer as mais intensas e generosas atitudes de solidariedade e entreajuda para comigo e para com a minha família!

Apesar de tudo, o universo é sábio e oferece-nos experiências que comprovam o que de melhor tem o ser humano, para nos dar força e alento para continuar a lutar e não desistir. Eu tive muita sorte, estamos bem e não houve consequências físicas para ninguém!  Todavia, ainda há muitas pessoas que não têm a sorte que eu tive e para elas vão os meus pensamentos e o meu apelo para que não desistam; continuem a lutar para recuperar as suas casas, os seus bens, as suas vidas. O sol pode ainda brilhar mais.


domingo, 8 de fevereiro de 2026

Desalentos


 

Há momentos em que a vida parece que nos quer mal.

Luta-se, enfrentam-se desafios que parecem não ter fim, quase que se desiste e os dias teimam em permanecer escuros e demasiadamente desafiantes.

Nos dias das tempestades, muitas pessoas "ficaram sem chão", algumas pereceram e percebemos na pele que a nossa vida pode transformar-se abruptamente para pior. 

Neste momento, luto ininterruptamente contra a água, que teima em invadir a minha casa, desde que o telhado foi levado pela malvada Kristin, num sopro da violência do vento.

E, assim, sentimo-nos invadidos na nossa intimidade, desalentados, impotentes, cansados de lutar ingloriamente. 

Com o passar dos dias e das tempestades, vejo a minha terra, Alcácer do Sal, devastada pelas cheias, choro o desalento dos meus familiares, dos meus conterrâneos que viram o rio transformar os seus lares em pântanos, repletos montes de lixo e lama. A água, sempre ela!

Tenho tido da parte de pessoas, próximas e desconhecidas, atitudes solidárias que me comovem às lágrimas e pelas quais me sinto infinitamente grata. 

Apesar de ter como abrigo um monte de lonas a fingir um telhado, de enfrentar a chuva, o vento, o desalento e o desânimo, acredito que o sol ainda vai aquecer  as nossas vidas, mesmo que demore um pouco mais ou custe um pouco mais a chegar.