Há momentos em que a vida parece que nos quer mal.
Luta-se, enfrentam-se desafios que parecem não ter fim, quase que se desiste e os dias teimam em permanecer escuros e demasiadamente desafiantes.
Nos dias das tempestades, muitas pessoas "ficaram sem chão", algumas pereceram e percebemos na pele que a nossa vida pode transformar-se abruptamente para pior.
Neste momento, luto ininterruptamente contra a água, que teima em invadir a minha casa, desde que o telhado foi levado pela malvada Kristin, num sopro da violência do vento.
E, assim, sentimo-nos invadidos na nossa intimidade, desalentados, impotentes, cansados de lutar ingloriamente.
Com o passar dos dias e das tempestades, vejo a minha terra, Alcácer do Sal, devastada pelas cheias, choro o desalento dos meus familiares, dos meus conterrâneos que viram o rio transformar os seus lares em pântanos, repletos montes de lixo e lama. A água, sempre ela!
Tenho tido da parte de pessoas, próximas e desconhecidas, atitudes solidárias que me comovem às lágrimas e pelas quais me sinto infinitamente grata.
Apesar de ter como abrigo um monte de lonas a fingir um telhado, de enfrentar a chuva, o vento, o desalento e o desânimo, acredito que o sol ainda vai aquecer as nossas vidas, mesmo que demore um pouco mais ou custe um pouco mais a chegar.


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