quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Publicidade ao que é importante

 Cada vez mais, acredito que as aprendizagens dos meus alunos têm de ser significantes para eles e, na minha opinião, o trabalho de projeto propicia-o bastante.

Este ano, estranho e mau, deu origem a muitos desabafos e várias reflexões sobre a forma como levamos a vida e convidei os meus miúdos a selecionarem palavras, das quais, na sua opinião, valesse a pena, pela sua importância, tornarem-se os seus guardiões. A esse propósito ainda, e depois de estudarmos o texto de opinião e o argumentativo, propus a elaboração de um anúncio publicitário num projeto que envolvesse a técnica do Fanzine.

E cá estão eles. Orgulhão imenso nos meus meninos!










quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Simplesmente

 A lua continua a governar as noites e, quando é altura, ela brilha no céu. O sol, entristecido, dá o ar da sua graça. quando as nuvens atormentam outras paragens.

No entanto, nós já não temos abraços ternos, sentidos, para nos consolar ou entre gargalhadas. Eu deixei de pôr a mão no ombro dos meus alunos, quando me aproximo deles. Aliás, agora nem nos podemos aproximar dos nossos alunos. 

Assim, conforta-me a manta quentinha no sofá e o meu gato a dormir no meu colo, neste início  de inverno...




segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Sim, mas não...

Saramago imaginou a Península Ibérica à deriva no mar, na obra Jangada de Pedra. 

Saramago, o visionário, dá-nos uma imagem literal do que, metaforicamente, está a acontecer no nosso país: estamos a viver um momento assustador devido à pandemia; temos de implementar medidas excecionais... Ah, afinal, as medidas excecionais têm tantas exceções que fica tudo na mesma e, assim, continua tudo dependente de cada um de nós...

Quem poderá acreditar no que é dito, daqui para a frente, nas entidades oficiais?

Haja paciência! 




domingo, 25 de outubro de 2020

Vírus ao contrário

 Desta maleita que nos apoquenta e nos cerceia tanto e tanto, do que mais sinto falta é do toque.

Gosto de abraços, de beijinhos, de dar um piparote no ombro de um amigo quando me está a moer, de tocar no braço de um aluno quando me chegava junto dele para lhe dar uma explicação... Agora, nem junto dos alunos podemos estar, mas confesso que tenho de fazer um esforço hercúleo para disso me lembrar, quando me chamam, na aula...

Somos latinos, o toque faz parte do nosso ADN, das nossas rotinas, das nossas vidas. 

Para quando um vírus ao contrário, um que apele à solidariedade, à partilha, ao abraço?

 Tim Robberts/Getty Images 



 

Apostar na felicidade

 Não me ralo nada de ter a minha idade. Ela é minha, conquistei-a ao mundo, à vida, ao tempo. Nunca deixarei que atrasem a passagem dos anos pelo meu corpo! Cuido-me para ter saúde, provando que me amo assim, antiga e com os privilégios da antiguidade. 

Ter já muitos anos permite-me quase não fazer  fretes e, se os faço, é porque ainda acho que têm sentido. Também posso quase sempre escolher onde estou, com quem estou, durante quanto tempo...

Tenho a felicidade de amar a minha profissão, pelo que, ao fim destes anos todos, é raro o dia em que vou para a escola sem vontade e ainda retiro prazer de muitas das tarefas e atividades a ela inerentes.

Assim, nestes tempos estranhos e maus, que nada têm a ver com todos os anos todos que já vivi, precisamos de retirar felicidade de momentinhos, de atitudes espontâneas e possíveis, mas que nos recordam que somos humanos e seres gregários.




sábado, 24 de outubro de 2020

Que assim seja

 Hoje, neste dia em que o outono já entrou por estes lados do mundo adentro, a corrigir e a classificar trabalhos e a esbragulhar romãs, até me pareceu tocar em laivos de normalidade...

Que assim seja e que possamos sugar destes momentos toda a felicidade a que temos direito.




domingo, 11 de outubro de 2020

Pieces

 Se eu pudesse escolher um destes armários do ano passado, escolheria 


o último, aquele que refere "rapariga aos pedaços".

Pensando neste número tão redondinho do ano em que vivemos, deixei pedaços de mim no passado que me fazem falta agora. Ficaram restos em locais por onde passei e queria recolher; deixei momentos com gente com quem me cruzei e que queria recuperar, continuar; deixei pedaços de mim espalhados pelo meu mundo e por outros que não estão no "armário" do ano passado, estão em mim e não podem ser livres...

Posso escolher?

Cá por mim, a "nova normalidade" deveria ser molhada. Já que temos de levar com a Covid 19 e as máscaras sufocantes, o belo do álcool gel e o distanciamento social, então, que chova, pode até trovejar, vá, mas que a Terra toda seja refrescada, lavada, "purificada" por uma chuva benfaseja!

domingo, 27 de setembro de 2020

Só agora consegui, mãe...

 Desde que este mundo é nosso, a vida e a morte são irmãs que andam de mão dada, que não passam uma sem a outra. Não estão em pé de igualdade: assim que nascemos, podemos morrer; logo que morremos, não podemos nascer. 

Se vivemos mais ou menos, melhor ou pior, intensamente ou como um rio aprisionado nas margens, cada um sabe de si. Ou não.

Ser humano é poder experienciar emoções, vivências, doenças, fruir o tempo como podemos ou apenas como ele nos quer deixar viver.

Estes são tempos estranhos, dolorosos e intensos para mim. Acredito que não sou a única. Afinal, para todos nós, começa a ser banal vermos a vida e a morte de mãos dadas, olhando-nos de frente.

Às vezes, o único consolo é gritar ao coração que o amor permanece, que, quando alguém parte, pode ser o maior e derradeiro ato de generosidade para connosco.

No dia dos meus anos, foi a última vez em que eu e a minha mãe estivemos juntas. Voltei a vê-la na véspera da sua morte, mas ela já não esteve comigo.

Agora, está por aqui, ao jeito, quando eu preciso. 

 




terça-feira, 7 de julho de 2020

Porque é a vida


Qual é a asa que tenho para voar se não levanto meus olhos do chão?
Que céu é este na lonjura do meu olhar?
Abro a mão e deixo escorrer coração para fora do meu peito. Às vezes, dói. 
E o que é isso se não a vida?

?


Estou aqui, sentada à secretária, de frente para a janela, olho para o quintal muitas vezes, quando quero e involuntariamente, procurando uma palavra para avançar no trabalho ou simplesmente porque já se tornou rotina descansar o olhar no verde do meu quintal, entre tarefas de computador. 
Não sei se estou triste por já estar formatada para esta forma de estar/trabalhar ou porque sinto falta da escola, agora, nesta altura, em que os alunos já lá não estavam, mas cuja alegria ainda pairava no ar e nós andávamos a resmungar por tudo e por nada, fartos uns dos outros, loucos com os relatórios que temos de fazer, nestes finais de ano letivo.
Agora, na escola, vemos alguns de nós, poucos, fantasmas de máscaras, descartáveis ou mais coloridas (tentativa de colorir a nossa vida?), mas que nos impedem de nos reconhecer, de observar os nossos sorrisos, amarelos, verdes, não importa, os nossos sorrisos que nos estão vedados!
As escolas, agora, são casas-fantasmas de tempos idos, deixados à pressa  e contra a nossa vontade. 

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Vamos?


Recordo fácil e recorrentemente locais, especialmente os da minha infância, aqueles que viriam a ser tão importantes para mim e eu ainda não sabia, as casas das minhas avós, a minha primeira escola, a casa da minha família na terra onde nasci, a árvore para onde subíamos nos intervalos da escola primária para onde vim morar, depois.. Locais mais ou menos importantes, mas que ficaram em mim para todo o sempre.
Sempre me conectei mais com locais do que com datas: é nos sítios que respiro-inspiro os sentimentos. Quem diz que não devemos voltar aos locais onde fomos felizes, não quer lambuzar-se de felicidade, nunca sentiu a satisfação a correr-lhe nas veias quando olha em volta e reconhece as cores, os sons, os cheiros... Mais, faço questão de levar aos meus chãos, quando é possível, quem eu gosto; partilhar os meus locais é a minha forma de partilhar a minha felicidade, o meu agrado.