quarta-feira, 10 de agosto de 2022

A falta que isto me fez...

 A ideia era descermos a Nacional 2, depois de fazermos os Passadiços do Paiva e a ponte suspensa de Arouca, mas a canícula não deixou... Fomos deslizar na Ria de Aveiro e à Aberta Nova e seguimos para o Paiva. Conseguimos atravessar a ponte em Arouca (que tanto abanava, meus deuses!) e só sofremos até meio dos passadiços, tal era o calor! Depois, rumámos a Trás-os-Montes ver o nosso fofão e seus papás, mas abafava-se e foi no Porto que nos refrescámos, que saboreámos Serralves (com Miró e outros talentos), pasmámos com a Casa da Música, o Palácio da Bolsa e as catacumbas da Igreja de S. Francisco, navegámos no Douro e calcorreámos um Porto, que foi por nós muito e muito sentido. 

Estrafeguei um joelho. Mas ainda bem!































terça-feira, 9 de agosto de 2022

Caminhos

 Depois de quase 1300 Km de carro e muitos, muitos a pé, sinto a alma lavada, mais rica e quase pronta para novos recomeços.

Na companhia da filha mais nova, que é a que ainda tem disponibilidade para estas voltinhas (sim, que a outra filha já tem entretenimento mais continuo e fofinho...), lambuzei-me de norte: Aveiro, Arouca, Trás-os-Montes e o belo Porto, carago, do qual nunca me canso e que tenho pena de não ser já ali!...

















terça-feira, 21 de junho de 2022

Já tenho saudades. Tenho-te comigo...

 Sem mais tempo para olhar o sol de frente.

Sem mais tempo para respirar de peito aberto e cheio.

Quando te fores, o dia vai nascer, fresco e límpido, como sempre. Assim foi sempre e assim será.

Só quem te fez sua, sentirá a tua falta. 

Sentir-te-emos no nosso coração e sorriremos. Docemente.



quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Faz-nos falta


 

O sol crescido agasalhava as gentes que fintavam o vento, aconchegando os casacos como podiam.

O rio, azul e inquieto, seguia rumo ao mar, sem conversar com os barcos que o cruzavam.

Eram quatro vidas já bem compridas. Juntos, cresceram e rumaram aos trilhos escolhidos e que foram felizes ou não, vivazes ou acomodados.  

Havia memórias que planavam entre eles, recordações de risos partilhados, descobertas feitas por corpos jovens e tenros, ávidos de emoções e ainda encantados pela ausência de desencanto. As gargalhadas eram genuínas e espantavam pela sua generosidade. Gargalhadas generosas ainda surpreendem mais!

Prometeram voltar a ver-se, voltar a fruírem uns dos outros, junto deste ou de outro rio. Eles correm sempre para o mar. É por isso que os quatro sentem sempre perto o pulsar do coração uns dos outros.  

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Quem manda no coração?

 

 

                                                imagem: shutterstock.com  

Na véspera de S. Valentim, ele confirmou a tranquilidade de um coração leve, de um coração que não anseia, não suspira. E era vê-lo baloiçar numa ausência de sonhos, não imaginando lábios, sorrisos, palavras... 

Ah, mas as coisas fáceis não eram para ele e não sabe se foi obra de Cupido ou de Pã, mas a alegria dela, o seu sentido de humor absolutamente delicioso e certeiro abalaram-lhe a paz do coração vazio!

E lá passou uma noite  sonhar com ela.

E lá se desesperou por sonhá-la tanto! Mas é assim, só os amores impossíveis lhe parecem dignos do seu penar.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Para sempre


 Amanhã, o meu cão querido faz 8 meses.

Não vamos festejar juntos visto que ele não está connosco. Apesar da tristeza de não o ter, o nosso coração agradece termos sentido um amor tamanho. Ele entrou nas nossas vidas e ensinou-nos a dedicação incondicional, a alegria genuína, mas também a necessidade de desapego.

O meu cão querido talvez até seja mais feliz, agora. Talvez até já nem se lembre de nós e já não saiba o nome que lhe demos. Todavia, este será o nosso cão querido para todo o sempre.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Dia de Todos os Santos

 


Diz que amanhã é que é Dia de Finados. Diz que hoje é, então, o Dia de Todos os Santos.

Felizmente, mãe, nem tu nem eu somos santas... Mas és a minha finada. E, hoje, fui lá oferecer-te umas flores amarelo-limão, sim, que o sol não está para graças e alegra outra paragens. 

Não foi porque é "dia de ir" que fui ao cemitério; fui lá porque sei que ficarias muito triste e a achar que não cuido de ti, no dia em que todas as campas ficam coloridas e cuidadas. Já te ouço a dizer "Era só o que faltava, eu não estar arranjada como as outras!".

Foi o batom e a base que me foi possível dar-te, mãe, a ti que nunca saías sem um aprumo, sem um batonzinho para alegrar.

terça-feira, 19 de outubro de 2021

O escuro em nós


 

O vento ausentou-se e deixou o sol aquecer o mundo, ontem e hoje, há já muito dias.

O sol não se compadece do verde, das gentes, de mim. Ele brilha, independentemente da vontade de homens. 

Os homens, às vezes, são escuros por dentro. No coração e nos olhos. Quando os olhos escurecem, basta chorar; quando é no coração, podem vir rios de lágrimas que o escuro permanece, muito malvado.

Cada um tem as suas escuridões. Cada um tem os seus sois. Procuremo-los em paz.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Parabéns a mim!

 

57 anos!
Ainda ontem estava com os os meus primos, a brincar na casa dos meus avós, ia prá escola de bata branca ou descia as escadas da faculdade e já completei 57 anos!...
Só de imaginar as vezes que já dormi, que já comi, que já respirei...
Já fui tanta coisa, menina, rapariga, aluna, esposa, ... Continuo a ser muitas mais e gosto do que sou, dos valores que defendo, do que admiro, do que decido ou vou decidindo.
O mundo foi mudando e eu também, mas cheguei aqui e estou grata pelo que tenho, pelo que conquistei, pelo que construi.
Venham outros tantos!
Hum!... Talvez não...
Todavia, PARABÉNS A MIM!

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Resumo

 


Quase um ano depois da morte da minha mãe, só agora me foi tempo de tocar as suas roupas para as doar.

Nos seus armários, jaziam o que ela comprou, o que ela costurou e o que ela acareou da minha avó e da minha tia-avó, há já tanto desaparecidas. Que a minha mãe era assim, gostava de recordações, tinha gosto em usar o que tinha sido dos seus.

Então, enchi sacos, previamente comprados para esse fim, grandes e negros, como teria de ser, telefonei para a instituição que recolhe doações e, no final, num relance, sem ânimo para contemplações, pensei em como a vida de uma pessoa se resume a uns quantos sacos, grandes e negros, repletos de roupa, à espera de ver a luz do dia noutros corpos, vivos ainda.

terça-feira, 13 de julho de 2021

As Casas

 

Das casas dos meus avós, recordo sempre com o deslumbramento dos olhos da infância, três delas.
Da terra onde morei muito tempo, a casa da avó que permanecerá para todo o sempre é aquela cheia de corredores sinuosos e de recantos escuros, onde me escondia a brincar com as sombras. Sim, com as sombras, já que não tenho irmãos, na altura ainda não tinha primos de mãe e aquela não era casa para levar as amigas. Não interessa, um filho único nunca se aborrece e, com sombras ou não, havia sempre que fazer naquela casa, quer fosse no sótão, no terraço ou entrando de mansinho nos aposentos das minhas tias, locais sempre inalcançáveis e, por isso mesmo, tentadores. Quando os soalhos rangiam com o peso da minha curiosidade, imaginava todos os que por ali teriam andado, certamente mais atarefados do que eu, mas não tão ávidos de aventuras.
Na terra onde nasci, haverá sempre esta casa nos meus sonhos, enorme, de murais já muito desbotados, que já não é nossa, mas que foi a casa da família do meu pai durante largos anos. Foi lá que a minha querida tia-avó Maria me proporcionou os mimos do arroz doce, quente em banho-maria, porque era dele morno que eu gostava e, naquele tempo, o microondas era ficção científica; era lá que me refastelava no cama-pé de palhinha e fingia a minha soberba, em bailes imaginados e repletos de príncipes encantados, como se os houvesse... Foi lá que chorei, quando se decidiu a sua venda, quando percebi que nunca mais poderia passar por baixo do armário embutido para ir da entrada para a cozinha, nem mais podia sentar-me numa cadeirinha à lareira, mesmo dentro da chaminé, a ouvir as histórias que o meu bisavô, já cego, contava.
Na terra onde nasci, sempre que vejo a casa que era dos meus avós em ruínas, sinto a sua mágoa, deles e daquelas paredes que ouviram as gargalhadas das crianças e dos adultos, quando nos juntávamos todos, no verão. Imagino o quintalito, onde o meu avô, que cheirava a abelha, se sentava a preparar os quadros das colmeias, repleto de ervas daninhas e sei que, se eu lá for procurar bem, o meu avô ainda lá está, ou, então, teria ido ao armazém, a porta está aberta e, por isso, é que o não vejo.